Portuguese poem
Apenas rebentava no oriente
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Apenas rebentava no oriente A clara luz da aurora, quando Fido, O repouso deixando aborrecido, Se punha a contemplar no mal, que sente.
Vê a nuvem, que foge ao transparente Anúncio do crepúsculo luzido; E vê de todo em riso convertido O horror, que dissipara o raio ardente.
Por que (diz) esta sorte, que se alcança Entre a sombra, e a luz, não sinto agora No mal, que me atormenta, e que me cansa?
Aqui toda a tristeza se melhora: Mas eu sem o prazer de uma esperança Passo o ano, e o mês, o dia, a hora.