Portuguese poem
Formoso, e manso gado, que pascendo
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Formoso, e manso gado, que pascendo A relva andais por entre o verde prado, Venturoso rebanho, feliz gado, Que à bela Antandra estais obedecendo;
Já de Corino os ecos percebendo A frente levantais, ouvis parado; Ou já de Alcino ao canto levantado, Pouco e pouco vos ides recolhendo;
Eu, o mísero Alfeu, que em meu destino Lamento as sem razões da desventura, A seguir vos também hoje me inclino:
Medi meu rosto: ouvi minha ternura; Porque o aspecto, e voz de um peregrino Sempre faz novidade na espessura.