Portuguese poem
Valha-te Deus, cansada fantasia!
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Valha-te Deus, cansada fantasia! Que mais queres de mim? que mais pretendes? Se quando na esperança mais te acendes, Se desengana mais tua porfia!
Vagando regiões de dia em dia, Novas conquistas, e troféus empreendes: Ah que conheces mal, que mal entendes, Onde chega do fado a tirania!
Trata de acomodar-te ao movimento Dessa roda volúvel, e descansa Sobre tão fatigado pensamento.
E se inda crês no rosto da esperança, Examina por dentro o fingimento; E verás tempestade o que é bonança.