Portuguese poem
A fonte de águas cristalinas corre
by Cruz e Sousa (1861–1898)
A fonte de águas cristalinas corre Chamalotes de prata levantando, E através de arvoredos murmurando, Entre arvoredos murmurando morre...
No ocaso, o sol, a luz no oceano escorre E sempre vejo, as sombras afrontando, Uma mulher que canta e ri, lavando, Mesmo que o sol muito abrasado jorre.
É verde o campo, deleitável e ermo. Pássaros cortam vastidões sem termo, Borboletas azuis roçam nas águas.
E cantando, a mulher, a rir a face, Lava cantando como se lavasse As suas grandes e profundas mágoas.