Portuguese poem
A Freira Morta
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Muda, espectral, entrando as arcarias Da cripta onde ela jaz eternamente No austero claustro silencioso — a gente Desce com as impressões das cinzas frias...
Pelas negras abóbadas sombrias Donde pende uma lâmpada fulgente, Por entre a frouxa luz triste e dormente Sobem do claustro as sacras sinfonias.
Uma paz de sepulcro após se estende... E no luar da lâmpada que pende Brilham clarões de amores condenados...
Como que vem do túmulo da morta Um gemido de dor que os ares corta, Atravessando os mármores sagrados!