Portuguese poem
Abrigo celeste
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Estrela triste a refletir na lama, Raio de luz a cintilar na poeira, Tens a graça sutil e feiticeira, A doçura das curvas e da chama.
Do teu olhar um fluido se derrama De tão suave, cândida maneira Que és a sagrada pomba alvissareira Que para o Amor toda aminh'alma chama.
Meu ser anseia por teu doce apoio, Nos outros seres só encontra joio Mas só no teu todo o divino trigo.
Sou como um cego sem bordão de arrimo Que do teu ser, tateando, me aproximo Como de um céu de carinhoso abrigo.