Portuguese poem
Acrobata da Dor
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Gargalha, ri, n'um riso de tormenta, Como um palhaço, que desengonçado, Nervoso, ri, n'um riso absurdo, inflado De uma ironia e de uma dôr violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta, Agita os guizos, e convulsionado Salta, gavrochc, salta clown, varado Pelo estertor dessa agonia lenta...
Pédem-te bis e um bis não se despréza! Vamos! retéza os musculos, retéza Nessas macabras piruêtas d'aço...
E embóra cáias sobre o chão, fremente, Afogado em teu sangue estuoso e quente Ri! Coração, tristissimo palhaço