Portuguese poem
Azas abertas
by Cruz e Sousa (1861–1898)
As azas da minh'alma estão abertas! Pódes te agazalhar no meu Carinho, Abrigar-te de frios no meu ninho Com as tuas azas tremulas, incértas.
5Tu'alma lembra vastidões desertas Onde tudo é gelado e é só espinho. Mas na minh'alma encontrarás o Vinho E as graças todas do Conforto certas.
Vem! Ha em mim o eterno Amor immenso
10Que vae tudo florindo e fecundando E sóbe aos céos como sagrado incenso.
Eis a minh'alma, as azas palpitando, Como a saudade de agitado lenço O segredo dos longes procurando...