Portuguese poem
Brumosa
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Inglesa! Por toda a parte Onde vás, chamam-te inglesa E cobrem de pompas de arte A pompa dessa beleza.
Mas tu, num soberbo encanto De nevada e fria rosa, Ó meu pálido amaranto! Não és inglesa, és brumosa.
A tua carne alvorece Em lactescências de opala, Brilha, fulge e resplandece E um fino aroma trescala.
És a límpida camélia Nos jardins reais plantada Ou essa lânguida Ofélia Melancólica e nevada.
O teu corpo imaculado, Flor de místicas origens, Parece um luar velado E lembra florestas virgens.
Com o teu amor ilumina A minh’alma envolta em crepe, Ó vaporosa neblina, Ó branca e gelada estepe!