Portuguese poem
Dizem que a arte é a clâmide de idéia
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Dizem que a arte é a clâmide de idéia A peregrina irradiação celeste, E d’isso a prova singular já deste Sorvendo d’ela a divinal sabéia!.
Da “Georgeta” na feliz estréia, Asseverar-nos ainda mais vieste Que és um gênio, que te vás de preste Tornando o assombro de qualquer platéia!...
Sinto uns transportes fervorosos, ledos Quando nas cenas de sutis enredos Fulgem-te os olhos co’a expressão dos astros!...
E as turbas mudas, impassíveis, calmas Sentem mil mundos lhes crescer nas almas... Vão-te seguindo os luminosos rastros!...