Portuguese poem
Doente
by Cruz e Sousa (1861–1898)
As unhas perigosas da bronquite Nas tuas carnes sensuais e moles Não deixarão que o teu amor palpite Nem que os olhares pelos astros roles.
É fatal a moléstia. Só permite Que te acabes por fim e que te estioles. Sem que em teu peito o coração se agite, Sem que te animes, sem que te consoles.
Vai se extinguindo a polpa dessas faces... Mas se ainda hoje em mim acreditasses, Como no tempo virginal de outrora,
Tu curar-te-ias com pequeno esforço Das serranias através do dorso, Pela saúde dos vergéis afora.