Portuguese poem
Domus aurea
by Cruz e Sousa (1861–1898)
De bom amor e de bom fogo claro Uma casa feliz se acaricia... Basta-lhe luz e basta-lhe harmonia Para ela não ficar ao desamaro.
O Sentimento, quando é nobre e raro, Veste tudo de cândida poesia... Um bem celestial dele irradia, Um doce bem, que não é parco e avaro.
Um doce bem que se derrama em tudo, Um segredo imortal, risonho e mudo, Que nos leva debaixo da sua asa.
E os nossos olhos ficam rasos d'água Quando, rebentos de uma oculta mágoa, São nossos filhos todo o céu da casa.