Portuguese poem
Frutas de Maio
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Maio chegou — alegre e transparente Cheio de brilho e música nos ares, De cristalinos risos salutares, Frio, porém, ó gota alvinitente.
Corre um fluido suave e odorescente Das laranjeiras, como dos altares O incenso — e, como a gaze azul dos mares, Leve — há por tudo um beijo, docemente.
Isto bem cedo, de manhã — adiante Pela tarde um sol calmo, agonizante, Põe no horizonte resplendentes franjas.
Há carinhos, da luz em cada raio, Filha — e eu que adoro este frescor de maio Muito, mas muito — trago-te laranjas.