Portuguese poem
Giulietta Dionesi
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Ah! Giulietta! Os sons do teu violino Choram, suspiram, rugem como o leão Lembram sonoro rio cristalino E tem soluços como um coração.
Ó da harmonia divinal sereia! Rosas e estrelas e canções de ninhos Nas cordas do violino que gorjeia Passam cantando como os passarinhos.
Não sei que estranho espírito sereno Para a harmonia essa alma te inspirou Que dentro dum violino tão pequeno A música do espaço concentrou!
Ah! peregrina do país do sonho Flor luminosa de região sonora, No teu suave coração risonho Vibram triunfantes os clarins da aurora.
Tudo dentro de ti gorjeia e trina, Como trina e gorjeia o rouxinol Nas paisagens silvestres da campina, Aos esplendores siderais do sol.
Quem não há de chorar e rir não há de De amor, de saudade e de esperança, De assombro, vendo que na tenra idade Já és tão grande, sendo uma criança?!
Os astros do cerúleo firmamento, As meigas flores, o infinito mar Que digam como tu nesse instrumento Sabes sorrir e sabes soluçar...
Domadora feliz do som profundo, Deusa imortal de ignotas harmonias, Vai triunfar nas vastidões do mundo, Da glória nas eternas sinfonias.