Portuguese poem
Quando apareces, fica-se impassível
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Quando apareces, fica-se impassível E mudo e quedo, trêmulo, gelado!... Quer-se ficar com atenção, calado, Quer-se falar sem mesmo ser possível!.
Anda-se c'o a alma n'um estado horrível O coração completamente ervado!... Quer-se dar palmas, mas sem ser notado, Quer-se gritar, n'uma explosão temível!...
Sobe-se e desce-se ao país das fadas, Vaga-se co’as nuvens das mansões douradas Sob um esforço colossal, titânico!...
E as idéias galopando voam... Então lá dentro sem parar, ressoam As indomáveis convulsões do crânio!!...