Versos Portuguese Cruz e Sousa Psicologia Humana

Portuguese poem

Psicologia Humana

by (1861–1898)

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Por trás de uns vidros d’óculos opacos Muita vez um leão e um tigre rugem, E como um surdo temporal estrugem Os ódios dos covardes e dos fracos.

Partir pudesses, ó poeta, em cacos, Vidros que ocultam almas de ferrugem, Que espumam de ira, tenebrosas mugem, Mugem como de dentro de uns buracos.

Que essas sombrias, dúbias almas foscas Que parecem, no entanto, como moscas, Inofensivas, babam como as lesmas.

Mas tu, em vão, tais vidros partirias, Pois que no mundo, eternamente, as frias Almas humanas serão sempre as mesmas!