Portuguese poem
Roma Pagã
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Na antiga Roma, quando a saturnal fremente Exerceu sobre tudo o báquico domínio, Não era raro ver nos gozos do triclínio A nudez feminina imperiosa e quente.
O corpo de alabastro, olímpico e fulgente, Lascivamente nu, correto e retilínio, Num doce tom de cor, esplêndido e sangüíneo, Tinha o assombro da came e a forma da serpente.
A luz atravessava em frocos d’oiro e rosa Pela fresca epiderme, ebúrnea e setinosa, Macia, da maciez dulcíssima de arminhos.
Menos raro, porém, do que a nudez romana Era ver borbulhar, em férvida espadana A púrpura do sangue e a púrpura dos vinhos.