Portuguese poem
Cansa ser, sentir dói, pensar destrui
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Cansa ser, sentir dói, pensar destrui. Alheia a nós, em nós e fora, Rui a hora, e tudo nela rui. Inutilmente a alma o chora.
De que serve? O que é que tem que servir? Pálido esboço leve Do sol de Inverno sobre meu leito a sorrir... Vago sussurro breve.
Das pequenas vozes com que a manhã acorda, Da fútil promessa do dia, Morta ao nascer, na esperança longínqua e absurda Em que a alma se fia.