Portuguese poem
Horizonte
by Fernando Pessoa (1888–1935)
O' mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mysterio, Abria em flor o Longe, e o Sul siderio Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longinqua costa — Quando a nau se approxima ergue-se a encosta Em arvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores; E, no desembarcar, ha aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha.