Portuguese poem
Não pra mim mas pra ti teço as grinaldas
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Não pra mim mas pra ti teço as grinaldas Que de hera e rosas eu na fronte ponho. Para mim tece as tuas Que as minhas eu não vejo.
Um para o outro, mancebo, realizemos A beleza improfícua mas bastante De agradar um ao outro Plo prazer dado aos olhos.
O resto é o Fado que nos vai contando Pelo bater do sangue em nossas frontes A vida até que chegue A hora do barqueiro.
30-7-1914