Portuguese poem
Não quero mais que um som de água
by Fernando Pessoa (1888–1935)
NÃO QUERO MAIS que um som de água Ao pé de um adormecer. Trago sonho, trago mágoa, Trago com que não querer.
Como nada amei nem fiz Quero descansar de nada. Amanhã serei feliz Se para manhã há estrada.
Por enquanto, na estalagem De não ter cura de mim, Gozarei só pela aragem As flores do outro jardim.
Por enquanto, por enquanto, Por enquanto não sei quê... Pobre alma, choras sem pranto, E ouves como quem vê.