Portuguese poem
Não quero rosas desde que haja rosas
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Não quero rosas, desde que haja rosas. Quero-as só quando não as possa haver. Que hei-de fazer das coisas Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora A fez em ouro e azul se diluir. O que a minha alma ignora É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria Versos para dizer que inda o não sei. Tenho a alma pobre e fria... Ah, com que esmola a aquecerei?...