Portuguese poem
Não queiras, Lídia, construir no spaço
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Não queiras, Lídia, construir no spaço Que tu te crês futuro, ou prometer-te Esta ou aquela vida. Tu-própria és tua vida. Sonha teus sonhos onde os sonhos vivem.
Não te destines. Não te dês futura. Cumpre hoje, e a gestal taça gasta Ínscia da que se segue E inda vazia enches.
Quem sabe se entre a taça que tu bebes E a que queres que siga não te a Sorte Não interpõe, sábia, Toda u