Portuguese poem
Ó sino da minha aldeia
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Ó sino da minha aldeia, Dolente na tarde calma, Cada tua badalada Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar, Tão como triste da vida, Que já a primeira pancada Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto, Quando passo, sempre errante, És para mim como um sonho, Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua, Vibrante no céu aberto, Sinto mais longe o passado, Sinto a saudade mais perto.