Portuguese poem
O ter deveres, que prolixa coisa!
by Fernando Pessoa (1888–1935)
O ter deveres, que prolixa coisa! Agora tenho eu que estar à uma menos cinco Na Estação do Rossio, tabuleiro superior — despedida Do amigo que vai no "Sud Express" de toda a gente Para onde toda a gente vai, o Paris ...
Tenho que lá estar E acreditem, o cansaço antecipado é tão grande Que, se o "Sud Express" soubesse, descarrilava...
Brincadeira de crianças? Não, descarrilava a valer... Que leve a minha vida dentro, arre, quando descarrile!...
Tenho desejo forte, E o meu desejo, porque é forte, entra na substância do mundo.