Versos Portuguese Florbela Espanca A um Moribundo

Portuguese poem

A um Moribundo

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Não tenhas mêdo, não! Tranqüilamente, Como adormece a noite pelo Outono, Fecha os teus olhos, simples, docemente, Como, à tarde, uma pomba que tem sono...

A cabeça reclina levemente E os braços deixa-os ir ao abandôno, Como tombam, arfando, ao sol poente, As asas de uma pomba que tem sono...

O que há depois? Depois?... O azul dos céus? Um outro mundo? O eterno nada? Deus? Um abismo? Um castigo? Uma guarida?

Que importa? Que te importa, ó moribundo? —Seja o que fôr, será melhor que o mundo! Tudo será melhor do que esta vida!...