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Portuguese poem

A Voz da Tília

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Diz-me a tília a cantar: «Eu sou sincera, Eu sou isto que vês: o sonho, a graça. Deu ao meu corpo, o vento, quando passa, Êste ar escultural de bayadera...

E de manhã o sol é uma cratera, Uma serpente de oiro que me enlaça... Trago nas mãos as mãos da primavera... E é para mim que em noites de desgraça

Toca o vento Mozart, triste e solene, E à minha alma vibrante, posta a nu, Diz a chuva sonetos de Verlaine...»

E, ao ver-me triste, a tília murmurou: «Já fui um dia poeta como tu... Ainda hás de ser tília como eu sou...»