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Portuguese poem

Blasfémia

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Silêncio, meu Amor, não digas nada! Cai a noite nos longes donde vim... Tôda eu sou alma e amor, sou um jardim, Um pátio alucinante de Granada!

Dos meus cílios a sombra enluarada, Quando os teus olhos descem sôbre mim, Traça trémulas hastes de jasmim Na palidez da face extasiada!

Sou no teu rosto a luz que o alumia, Sou a expressão das tuas mãos de raça, E os beijos que me dás já foram meus!

Em ti sou Glória, Altura e Poesia! E vejo-me—milagre cheio de graça!— Dentro de ti, em ti igual a Deus!...