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Portuguese poem

Divino Instante

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Ser uma pobre morta inerte e fria, Hierática, deitada sob a terra, Sem saber se no mundo há paz ou guerra, Sem ver nascer, sem ver morrer o dia,

Luz apagada ao alto e que alumia, Bôca fechada à fala que não erra, Urna de bronze que a Verdade encerra, Ah! Ser Eu essa morta inerta e fria!

Ah, fixar o efémero! Êsse instante Em que o teu beijo sôfrego de amante Queima o meu corpo frágil de âmbar loiro;

Ah, fixar o momento em que, dolente, Tuas pálpebras descem, lentamente, Sôbre a vertigem dos teus olhos de oiro!