Portuguese poem
Desalento
Às vezes oiço rir, é ’ma agonia Queima-me a alma como estranha brasa Tenho ódio à luz e tenho raiva ao dia Que me põe n’alma o fogo que m’abrasa!
Tenho sede d’amar a humanidade... Eu ando embriagada... entontecida... O roxo de maus lábios é saudade Duns beijos que me deram n’outra vida!
Ei não gosto do Sol, eu tenho medo Que me vejam nos olhos o segredo Que só saber chorar, de ser assim...
Gosto da noite, imensa, triste, preta, Como esta estranha e doida borboleta Que eu sinto sempre a voltejar em mim!