Portuguese poem
Deixai Entrar a Morte
Deixai entrar a Morte, a iluminada, A que vem para mim, p'ra me levar. Abri tôdas as portas par em par Como asas a bater em revoada.
Que sou eu neste mundo? A desherdada, A que prendeu nas mãos todo o luar, A vida inteira, o sonho, a terra, o mar, E que, ao abri-las, não encontrou nada!
Ó Mãe! Ó minha Mãe, p'ra que nasceste? Entre agonias e em dores tamanhas P'ra que foi, dize lá, que me trouxeste
Dentro de ti?... P'ra que eu tivesse sido Sòmente o fruto amargo das entranhas Dum lírio que em má hora foi nascido!...