Versos Portuguese Florbela Espanca Desejos Vãos

Portuguese poem

Desejos Vãos

by

Listen in the reader

Eu qu'ria ser o Mar d'altivo porte Que ri e canta, a vastidão imensa! Eu qu'ria ser a pedra que não pensa, A Pedra do caminho, rude e forte!

Eu qu'ria ser o Sol, a luz intensa, O bem do que é humilde e não tem sorte! Eu qu'ria ser a arvore tôsca e densa Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar tambêm chora de tristesa... As Arvores tambêm, como quem resa, Abrem, aos Ceus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia, Tem lágrimas de sangue na agonia! E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...

*Peor velhice*