Portuguese poem
Escuta
Escuta, amor, escuta a voz que ao teu ouvido Te canta uma canção na rua em que morei, Essa soturna voz há de contar-te, amigo Por essa rua minha os sonhos que sonhei!
Fala d'amor a voz em tom enternecido, Escuta-a com bondade. O muito que te amei Anda pairando aí em sonho comovido A envolver-te em oiro!... Assim s'envolve um rei!
Num nimbo de saudade e doce como a asa Recorta-se no céu a minha humilde casa Onde ficou minh'alma assim como penada
A arrastar grilhões como um fantasma triste. É dela a voz que fala, é dela a voz que existe Na rua em que morei... Anda crucificada!