Versos Portuguese Florbela Espanca Filtro

Portuguese poem

Filtro

by

Listen in the reader

Meu amor, não é nada:—Sons marinhos Numa concha vasia, chôro errante... Ah, olhos que não choram! Pobrezinhos... Não há luz neste mundo que os levante!

Eu andarei por ti os maus caminhos E as minhas mãos, abertas a diamante, Hão de crucificar-se nos espinhos Quando o meu peito fôr o teu mirante!

Para que corpos vis te não desejem, Hei de dar-te o meu corpo, e a bôca minha P'ra que bôcas impuras te não beijem!

Como quem roça um lago que sonhou, Minhas cansadas asas de andorinha Hão de prender-te todo num só vôo...