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Portuguese poem

Fumo

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Longe de ti são ermos os caminhos, Longe de ti não ha luar nem rosas, Longe de ti ha noites silenciosas, Ha dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobresinhos Perdidos pelas noites invernosas... Abertos, sonham mãos cariciosas, Tuas mãos dôces, plênas de carinhos!

Os dias são outônos: choram... choram... Ha crisantemos roxos que descóram... Ha murmúrios dolentes de segrêdos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! E ele é, ó meu Amôr, pelos espaços, Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

QUE IMPORTA?...

Eu era a desdenhosa, a indiferente. Nunca sentira em mim o coração Bater em violencias de paixão, Como bate no peito á outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente, Sem sombra de desejo ou de emoção, Enquanto as azas loiras da ilusão Abrem dentro de mim ao sol nascente.

Minh'alma, a pedra, transformou-se em fonte; Como nascida em carinhoso monte, Toda ela é riso e é frescura e graça!

Nela refresca a bôca um só instante... Que importa?... Se o cançado viandante Bebe em todas as fontes... quando passa?...