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Portuguese poem

Vaidade

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Sonho que sou a Poetisa eleita, Aquela que diz tudo e tudo sabe, Que tem a inspiração pura e perfeita, Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade Para encher todo o mundo! E que deleita Mesmo aqueles que morrem de saudade! Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguem cá neste mundo... Aquela de saber vasto e profundo, Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no ceu eu vou sonhando, E quando mais no alto ando voando, Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

*Eu*...

EU...

Eu sou a que no mundo anda perdida, Eu sou a que na vida não tem norte, Sou a irmã do Sonho, e desta sorte Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida, E que o destino amargo, triste e forte, Impele brutalmente para a morte! Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguem vê... Sou a que chamam triste sem o sêr... Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguem sonhou, Alguem que veio ao mundo p'ra me vêr, E que nunca na vida me encontrou!

*Castelã da Tristêsa*