Portuguese poem
Enteada
by Francisco Palha (1827–1890)
Casou segunda vez certo sujeito que sempre á viuvez torceu a cara. Deixára-lhe uma filha o velho leito, e mimo egual o novo lhe offertára.
Quando eu as conheci, uma era forte, córada, alegre, brincalhona, viva; pallida a outra, triste, pensativa, como quem traz em si a dôr e a morte.
Das duas a mais nova, a que é sadía, a lapis, n'um papel, graciosos traços d'um corpo de mulher hontem fazia. No fim as palmas bate, e, erguendo os braços,
«Olha a mamã!» gritou, «De longe basta... basta vêl-a d'ahi!... Não será ella?»-- Volve-lhe a outra em voz que o sangue gela: --Agora pinta lá uma madrasta!--
Miserrimos poetas que nós somos! Por mais inspiração que nos abraze, por mais phantasiar tomos e tomos não valem juntos, não, aquella phrase.