Portuguese poem
La prude
by Goethe (1749–1832)
Deliciosa manhã de primavera doura Os campos. Ainda dorme o sol. Mas a pastora, Descuidosa, passeia, enfeitadinha já. Quem a vê, a maciez das faces lhe namora. E ella cantando vaes pelos campos em fóra: Trá, lá, lá! Trá, lá, lá!
Por um beijo um pastor offerta-lhe uma ovelha, Duas, quantas quizer... E ella fica vermelha
De raiva, bate o pé... Tão formosa e tão má! Encara-o com despreso; e depois, apressando Os passos, segue adeante, aligera, cantando: Trá, lá, lá! Trá, lá, lá!
Um pastor lhe offerece o coração a ella; Fitas outro pastor lhe offerta; mas a bella Pastorinha gentil, enfastiada já, Ri de ambos, como riu das ovelhinhas brancas Do primeiro. E prosegue, entre risadas francas, Trá, lá, lá! Trá, lá, lá!