Versos Portuguese Gonçalves Dias Canção do Tamoio

Portuguese poem

Canção do Tamoio

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I. Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, Que os fracos abate, Que os fortes, os bravos, Só pode exaltar. II. Um dia vivemos! E o homem que é forte Não teme da morte; Só teme fugir; No arco que enteza Tem certa uma presa, Quer seja tapuya, Condor ou tapyr. III. O forte, o cobarde Seus feitos inveja De o ver na peleja Garboso e feroz; E os timidos velhos Nos graves concelhos, Curvadas as frontes, Escutão-lhe a voz! IV. Domina, se vive; Se morre, descança Dos seus na lembrança, Na voz do porvir. Não cures da vida! Sè bravo, sê forte! Não fujas da morte, Que a morte hade vir! V. E pois que és meu filho, Meus brios reveste; Tamoyo nasceste, Valente serás. Sê duro guerreiro, Robusto, fraguciro, Brasão dos tamoyos Na guerra e na paz VI. Teu grito de guerra Retumbe aos ouvidos D’imigos transidos Por vil commoção; E tremão d’ouvil-o Peor que o sibilo Das setas ligeiras, Peor que o trovão. VII. E a mãe nessas tabas Querendo calados Os filhos creados Na lei do terror; Teu nome lhes diga, Que a gente inimiga Talvez não escute Sem pranto, sem dor! Porêm se a fortuna, Trahindo teus passos, Te arroja nos laços Do imigo fallaz! Na ultima hora Teus feitos memora, Tranquillo nos gestos, Impavido, audaz. IX. E cae como o tronco Do raio tocado, Partido, rojado Por larga extenção; Assim morre o forte! No passo da morte Triunfa, conquista Mais alto brasão. X. As armas ensaia, Penetra na vida: Pesada ou querida, Viver é lutar. Se o duro combate Os fracos abate, Aos fortes, aos bravos, Só pode exaltar.