Portuguese poem
Urge o Tempo
Urge o tempo, os annos vão correndo, Mudança eterna os seres afadiga! O tronco, o arbusto, a folha, a flor, o espinho, Quem vive, o que vegeta, vai tomando Aspectos novos, nova forma, em quanto Gyra no espaço e se equilibra a terra.
Tudo se muda, tudo se transforma; O espirito, porém, como centelha, Que vai lavrando solapada e occulta,
Até que emfim se torna incêndio e chammas, Quando rompe os andrajos morredouros, Mais claro brilha, e aos céos comsigo arrasta Quanto sentio, quanto soffreu na terra.
Tudo se muda aqui! somente o affecto, Que se gera e se nutre em almas grandes, Não acaba, não muda; vai crescendo, Co’ o tempo avulta, mais augmenta em forças, E a própria morte o purifica e alinda. Simelha estatua erguida entre ruínas, Firme na base, intacta, mais bella Depois que o tempo a rodeou de estragos.