Portuguese poem
Triste do Trovador
E ella era como a rosa matutina Formosa e bella, E como a estrella que á noite ao mar se inclina, Saudosa era ella.
Seus olhos negros, vivos e rasgados, Era delicias vel-os; E co’a alvura do rosto contrastava A cor dos seus cabellos.
Quando alguem lhe fallava, então fallava Com voz macia, Que triste dentro d’alma nos filtrava Doce alegria.
E o seu timbre de voz movia as fibras Do coração, Como sons que a mudez da noite quebrão Na solidão.
Seu mais leve sentir patenteava No rosto ameno; Nuvemzinha da tarde, que se encherga Em céo sereno.
Topou-a acaso pensativa, errante, O trovador: «Feliz, disse elle, quem gozára os mimos Do seu amor!»
E ella deu-lhe do seio uma saudade Murcha, porém bella, E elle um culto votou, scismando extremos, Á pallida donzella.
Como fosse, porém, breve a sua vida Como uma flor, Em breves dias era mudo e triste O trovador.
Se alguma vez cantava, — só dizia Ao seu anjo do céo, que lá morava, Que de ter junto delle só pedia A vida sua, que tão erma estava.