Portuguese poem
Ii
by Guilherme Braga (1845–1874)
*A humildade do bispo*
Era um bello aposento, Que Faublas prezaria sem desdouro... --Ninho d'abutres, perfumado e fôfo, A que dava um revérbero sangrento, Á froixa luz d'um candelabro d'ouro, A adamascada purpura do estôfo.--
Molles coxins, em largas ottomanas, Convidavam a languidas posturas As Aspasias catholicas-romanas, As lúbricas sultanas D'aquelle harem christão, meio ás escuras!
Mil fragrancias subtis no morno ambiente; Ao centro a meza,--o impuro altar da orgia;-- Sobre a meza a baixella resplendente... A baixella roubada á sacristia: Crystaes por toda a parte, e, nos espelhos, Todo esse lustre a espaços reflectido, Da luz da orgia á froixa claridade...
Satanaz debruçou-se ao meu ouvido Para dizer-me, a rir-se: «Os Evangelhos Aconselham ao bispo esta humildade!»