Versos Portuguese Guilherme Braga Ix

Portuguese poem

Ix

by (1845–1874)

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*Pejo do satyro.--Satanaz e Deus.-- A immobilidade de Jesus.*

Não posso dizer mais... não sei... não quero! Satanaz, a tremer, tomou-me o braço, E ambos, deixando o tenebroso paço, Voltamos para aqui:

Rudes convivas dos festins de Nero! Sardanapálo! ó torvos seids d'Asia! Borgias! Tiberio! Messalina! Aspasia! Vós sabeis o que eu vi!

Ó Christo! Aos pés de Deus lá dorme o vulto Do eterno tentador... N'aquella orgia, Se lá coubesse Deus, Deus rolaria Aos pés de Satanaz!...»

Calou-se de repente e, meio occulto Do capitel nos rendilhados folhos, Ria cada vez mais, piscando os olhos, O fauno,--o hereje audaz.

Jesus, no entanto, immovel, silencioso, A fronte morta para o chão pendia, Na terrivel postura da agonia A que o forçára a cruz...

E ha quem espere um grito doloroso D'aquell'alma sublime? Ha quem espere Vêr passar o sorriso de Voltaire Nos labios de Jesus!