Portuguese poem
Tempestade Amazônica
by Humberto de Campos (1886–1934)
O calor asfixia e o ar escurece. O rio, Quieto, não tem uma onda. Os insetos na mata Zumbem tontos de medo. E o pássaro, o sombrio Da floresta procura, onde a chuva não bata.
Súbito, o raio estala. O vento zune. Um frio De terror tudo invade... E o temporal desata As peias pelo espaço e, bufando, bravio, O arvoredo retorce e as folhas arrebata.
O anoso buriti curva a copa, e farfalha. Aves rodam no céu, num estéril esforço, Entre nuvens de folha e fragmentos de palha.
No alto o trovão repousa e em baixo a mata brama. Ruge em meio a amplidão. Das nuvens pelo dorso Correm serpes de fogo. E a chuva se derrama...