Versos Portuguese Humberto de Campos Os Hiperbóreos

Portuguese poem

Os Hiperbóreos

by (1886–1934)

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Cabeça erguida, o céu no olhar, que o céu procura, Baixa o humano caudal, dos desertos de gelo... Em farrapos, ao sol, derrete-se a brancura Da neve boreal sobre o ouro do cabelo.

Ulula, e desce; e tudo invade: a atra espessura Dos bosques entra, a urrar e a uivar. E, uivando, pelo Continente, a descer, ganha a úmida planura, E a brenha secular, em sonoro atropelo.

Assustam-se os chacais pelas selvas serenas. A turba ulula, o druida canta, enchendo os ares. Entre os uivos dos cães e o grunhido das renas...

Escutando o tropel, rincha o poldro, e galopa. Derrama-se, a rugir, das geleiras polares, A semente feraz dos Bárbaros, na Europa...