Versos Portuguese João de Deus Apparição

Portuguese poem

Apparição

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Como esse olhar é dôce! Dôce da mesma sorte Como se nunca fosse Toldado pela morte:

Como se alumiasse O sol ainda em vida As rosas d'essa face... Agora carcomida.

Colhesse-as eu mais cedo E logo que alvorece; Já não tivesse medo Que a terra m'as comesse.

Mas pura, como a neve Que ás vezes cahe na serra, É que a nossa alma deve Tambem voar da terra.

Gelasse a morte fria A mão profanadora Que te ennublasse um dia A luz que dás agora.

É n'essa côr tão linda, Rosa da madrugada! Que sinto a alma ainda Andar-me enfeitiçada.

Se um dia nos meus braços Te desbotasse as côres, Passavam os abraços... Passavam os amores!

Oh! não: mil vezes antes No céo lá onde habitas, E os rapidos instantes Que vens e me visitas

N'este degredo nosso, Que tanta gente estima, E eu, só porque não posso, Não largo e vou lá cima.

Vem tu cá baixo, abala, Deixa em podendo o collo Tão terno que te embala, E vem-me dar consolo.

Como essa imagem pura Ah! sobrevive ao nada E escapa á sepultura, Tão fresca e perfumada!

Nunca uma noite eu deixe De estar a vêr que existes, Em quanto me não feche O somno os olhos tristes.

E n'esse largo espaço Que te não vejo, espero Lhe contes o que eu passo N'este aspero desterro:

Que assim que te não veja É noite fria e escura, Noite que mette inveja Á mesma sepultura!