Versos Portuguese José da Silva Maia Ferreira Nas agoas profundas do pélago immenso

Portuguese poem

Nas agoas profundas do pélago immenso

by (1827–1881)

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Nas agoas profundas do pélago immenso Na pôpa de um barco que os mares varria, Attento eu mirava nos céos esmaltada Estrella brilhante que ao longe fulgia.

E era tão bella, tão nivea e mimosa, No seu esplendor, e na sua magia, Que longe do mundo, não sei porque sorte A Estrella brilhando o meu fado dizia:

«Ó Bardo, que máguas no peito alagando «Teus prantos desatas em trovas sentidas: «Não és só no mundo, mistura co’as minhas «Tuas dôres e máguas p’la sorte movidas.»

«Concentra em teu peito, não vibres na lyra «Os carmes pungidos da vida passada; «Não sejas escravo da terra, do mundo, «Procura na patria a vida prismada.»

«Mui longe dos gesto tyrannos, fingidos, «Que o oiro acalentam, — qual maga virtude; «Esquece, despresa, não sintas no peito «Effluvios de um nome tão féro e tão rude.»

«Tu és inda joven, e pódes na terra «O prisma da vida, na vida sorver; «Não sejas descrido, não queiras de rôjo «Na terra lançar o que has de obter.»

«Se já fatigado na lide affanosa «De tanto soffrer, e de tanto carpir; «Revive no mundo, temendo e fugindo «Dos rostos fingidos de falso sorrir.»

«Se o embate dos homens de peitos falsarios «Na terra te causa tristeza e terror, «Procura e abraça tua Mãi, Deus e Patria, «Da vida e do mundo o só norte d’amor»

Não sei se era um anjo, se sôpro divino Quem d’alma estas fallas me vinha infiltrar, Não sei que condão, e que forte magia Prendiam meus olhos á strella a brilhar.

E a estrella fallou-me — e eu só entendi Em maga harmonia — o seu doce fallar — Contou-me inda mais, — mas eu callo no peito As cousas que á terra não devo contar.