Portuguese poem
Ó vaso doirado
by José da Silva Maia Ferreira (1827–1881)
Ó vaso doirado D’encantos fadado Tão bello e prismado Nas regas d’amor — Infiltra bondoso — Na flôr do teu goso O brilho radioso Qu’inspira primôr?
Que é della no albor A sua alma e candor Só tua no amor — No peito a vibrar — Incensa e suspira A flôr que delira — Que já em tua lyra Soubeste cantar!
E sempre em tua alma Tu sintas a calma Do tronco e da palma Da meiga florinha —
Que é tua na vida No mundo descrida De ti — mas — tão qu’rida No amor que acarinha!
E assim vegetando E sempre regando — Com ella scismando Não deixes crestar — Mas sempre florir Comtigo a sorrir — A flôr que no abrir Quizeste adorar!