Versos Portuguese José da Silva Maia Ferreira Para que me recordas!

Portuguese poem

Para que me recordas!

by (1827–1881)

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Já a noite bem alta E a lua a fulgir — Seus raios tão bellos De meigo lusir Nos vinham d’amores Seus gôzos lembrar. D’amores? P’ra que me recordas D’outrora o gozar?

Das flôres a flôr mais pura e mimosa Já tive pendida em meu lindo rosal, Sómente regado por Anjos dos Ceus — No teu lindo solo — no teu Portugal!

Gosei a fragrancia qu’eu tanto aspirava No calix mimoso — só nelle a brotar! — Tu sabes que a flôr que eu tive na terra Igual neste mundo não posso encontrar!

É rosa? — Oh! não — porque espinhos ervados Não tinha essa flôr — d’agudo pungir — Seu nome na terra não é conhecido — Eu callo no peito o que eu só pude ouvir!

E sabes tambem que as furias do tempo Em grosso tufão fizeram murchar A flôr qu’eu mais qu’ria; — mas nunca a procella Seu nome em meu peito pod’rá olvidar!

Oh! não — não mais falles, Não queiras lembrar Meus dias d’amores Com ella a scismar! — D’amores? — P’ra que me recordas D’outrora o gosar? —

Mas eis que se esconde A lua que ha pouco Se via a brilhar — Seus raios tão bellos, Seus bellos fulgôres Se vão a finar: — Oh! calla — não queiras — Mais nada d’amores Seus gosos lembrar!..