Portuguese poem
Se eu fôra dos reis esse rei d’harmonia
by José da Silva Maia Ferreira (1827–1881)
Se eu fôra dos reis esse rei d’harmonia D’Achilles famado o sublime cantôr, Na lyra doirada cantára ditoso Teus magos encantos — retrato d’amor! —
Se eu fôra fadado dos magos accentos Do só Lamartine, qu’em doce fragôr A quéda de um Anjo sublime e brilhante Nos cantos qu’enleva cantou com primôr;
Se junto a Vaucluse eu tivera o laúde Que o mundo extasiou em seus cantos d’amor — Se o estylo tivera na bella Clorinda — Do Bardo qu’inspira, — do divo cantôr;
Se eu fôra do Tejo, e do Lima e Mondego O Cysne sem par de tão alto clamôr — Com voz emanada do côro dos Anjos Cantára inspirado a tua alma e candôr.
Mas eu não so’Homero, nem Cysne da França, Nem Tasso, ou Camões — esses Bardos d’amor! Sou Vate sem estro, nem lyra, nem musa, Sou triste do mundo mesquinho cantôr!